Testemunhos

 

Muito anos de prática clínica associam-se forçosamente a um discurso dominante, feito a múltiplas vozes, sobre a postura profissional de um qualquer médico. O meu caso não é excepção e, naturalmente, esse discurso polifónico veicula perspectivas diferentes, porventura mesmo opostas, da minha actuação enquanto profissional de Saúde Mental. Penso, contudo, que a maioria dos meus pacientes (e dos meus colegas) reconhece a seriedade, dedicação e entrega que demonstro no meu trabalho.

Seleccionei quatro perspectivas, muito diferentes entre si, acerca do trabalho que é desenvolvido neste consultório. Por serem complementares, considerei que estas opiniões deveriam ser divulgadas.

O primeiro testemunho é anónimo e foi publicado online. O segundo é do doente que acompanho há mais tempo. O terceiro é daquela paciente, única, que regularmente me dá sugestões de leitura. Finalmente, o da Dra. Ana Teresa Ramires, parece-me importante, porque ela é a técnica de Saúde Mental que há mais anos partilha comigo o consultório.

Eventualmente, outros testemunhos serão acrescentados nos próximos anos.

Transtorno de personalidade borderline

 

O melhor:

A única psiquiatra que realmente me conseguiu ajudar, sem dúvida a melhor profissional que poderia ter encontrado! Ajuda bastante, nos momentos difíceis ameniza tudo e nos momentos bons também está lá para ajudar a crescer.

Podia melhorar:

Já é tudo expectacular!

 

- Paciente que quis manter o anonimato

História de um Percurso Existencial contra a Adversidade

 

“Não é porque as coisas são difíceis que não ousamos fazê-las; é porque não ousamos fazê-las, que elas se tornam difíceis.” (Séneca; Filósofo Romano (anos 4 A.C. – 65 D.C.) – sobre Ética)

Foi no princípio da adolescência que eu senti os primeiros sintomas de mal-estar existencial, na altura em que se iniciaram as primeiras interrogações metafísicas, sobre o mundo e mim próprio, para as quais não tinha resposta própria e definitiva, e que se intensificaram quando deixei de me relacionar com os poucos amigos que tinha, e me enclausurei em mim próprio.

O meu mal-estar foi crescendo, à medida que o meu rendimento escolar se revelava aquém do que sentia serem as minhas verdadeiras capacidades, a partir do Ensino Secundário e mesmo depois de integrar na Universidade, e por isso decidi, por minha iniciativa, adiar os estudos e consultar um psiquiatra, na altura recomendado pelo meu médico de família. Confiei inteiramente no meu médico, no período entre 1991 e 1996. Esta parte da minha vida situa-se em França, onde vivi entre 1967 e 1996, tendo nascido em Lisboa, no mesmo ano em que emigrei.

Depois de regressar definitivamente a Portugal, em 1996, para viver em Lisboa, e na sequência da primeira grande crise da minha doença – na altura, ainda por diagnosticar – conheci a Dra. Paula Duarte, que se propôs, no final do primeiro internamento, continuar a acompanhar-me. Ela foi persuasiva, por isso aceitei a sua sugestão e passei a ser seguido no seu consultório.

Apesar de saber, desde o início do tratamento com a Dra. Paula Duarte, que tinha uma psicose e que o tratamento seria longo, só ao fim dos primeiros sete anos de acompanhamento, durante os quais tive mais um internamento, que durou quinze dias, me confrontei com o diagnostico de esquizofrenia, mas nunca desisti, tendo tido sempre o seu apoio, nos piores momentos da minha vida, durante estes vinte e quatro anos, durante os quais me entreguei totalmente aos seus cuidados.

Durante este longo período, imbuído de um sentido de busca pessoal, dediquei-me ao desporto, de corpo e alma, e à leitura de dramas - onde encontrava experiências psicológicas comparáveis às minhas -, na tentativa de compreender a origem da minha doença. E assim, impunha ao meu dia a dia um ritmo construtivo, contrário aos efeitos devastadores da minha doença crónica.

Hoje em dia considero-me em recuperação, o que significa ter descoberto uma nova forma de ser, para além (ou apesar) da doença.

“Enquanto adiamos as coisas, a vida passa.” (Séneca – sobre o valor da vida sem existência própria)

 

- Paulo J.C, Coimbra (Arganil)

Uma Conversa frente a frente

 

Estou com a Doutora Paula desde 2014. Desde o começo que a minha resistência tem sido obstinada e, em alguns momentos, feroz. As nossas sessões foram muitas vezes um confronto entre a minha teimosia e a própria obstinação da Doutora em apresentar-me com uma franqueza cortante os factos da situação que lhe levava. Alturas houve em que pensei desistir da terapia; de todas estas vezes, a sessão para a qual ia com um discurso de despedida preparado foi uma sessão em que algo se iluminou. A revelação foi sempre dolorosa, mas também sempre certeira, e consequência exclusiva da perseverança da Doutora e da sua capacidade em pensar comigo. Ao trabalho com ela devo mudanças que julguei impossíveis, e que me permitem agora sentir que aquilo que considero uma vida não me está vedado.

 

- Helena Carneiro, Lisboa

Trabalhar no consultório com a Dra. Paula Duarte

 

Trabalhar no consultório com a Dra. Paula Duarte tem sido um privilégio que agradeço.

Em primeiro lugar porque, a nível profissional, me deu a oportunidade de continuar a ganhar experiência de trabalho no âmbito da saúde mental, experimentando a prática de psicoterapia num espaço privado, após a conclusão da especialização em psicologia clínica, efectuada no Hospital São Francisco Xavier, o que de outra forma não teria conseguido.

Em segundo lugar porque a equipa de trabalho no consultório é complementar, apesar de diferenciada, sendo que o ramo da Psiquiatria se complementa com a Psicologia, quando necessário, existindo desta forma um trabalho conjunto em benefício do utente que procura ajuda e apoio no consultório.

Em terceiro lugar porque o espaço é agradável, existindo em ocasiões especiais, sempre uma atenção para com os colaboradores do consultório, que nos faz sentir valorizados e bem-vindos.

Finalmente, porque há uma disponibilidade alargada de horário, o que permite quer aos utentes quer aos profissionais maior facilidade de coordenação das sessões e consultas.

 

- Ana Teresa Ramires, Psicóloga Clínica, Lisboa

A Rita partiu num dia chuvoso

 

Agradeço do coração toda a atenção, cuidado e apoio que deu à Rita, e a nós pais, ao permitir que conseguíssemos ser uma família, de novo, unida e feliz.

Bem-Haja.

Helena B

À chuva

 

Imagine o que é viver sob um chapéu de chuva aberto e não acreditar quando todos dizem que não está a chover.

Com o seguimento nas consultas da Dra. Paula Duarte tenho verificado que afinal o chapéu é translúcido, que poderei olhar para cima, descobrir um "admirável mundo novo" e verificar que, afinal, pode não chover todos os dias. O próximo passo será livrar-me do maldito chapéu, nem que para isso tenha de "apanhar umas molhas."

- Paciente que quis manter o anonimato.