Prendas de Natal

dez-2022

Neste Natal recebi várias prendas dos meus doentes.

Mas nem todas foram materiais.

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A poucos dias do Natal, numa feira urbana, reencontrei inesperadamente aquela antiga paciente que mudou radicalmente a sua vida com a passagem pelo Hospital de Dia (HD). Na altura, desempregada, com um casamento infeliz e com um luto que se arrastava, ela apresentava-se bastante deprimida. Hoje está noutra relação, que tem já vários anos, tornou-se artesã e vende os seus produtos manufaturados em várias feiras da capital.

Ser recomendado por um antigo paciente é sempre uma boa forma de receber notícias de quem já não vemos há tempo; receber alguém referenciado por um antigo utente do HD é duplamente reconfortante. Também tive uma dessa prendas neste Natal.

Felizmente, a minha vida profissional não se esgota no hospital em que trabalho; por isso, ter a possibilidade de dinamizar um grupo terapêutico fora do HD, no qual todos os elementos – aqueles que têm doença psiquiátrica crónica e os que têm outras perturbações mentais crónicas – falaram, entre outras coisas, dos seus trabalhos, foi uma das melhores prendas que esta psiquiatra pôde receber neste Natal. Tal momento, por mais transitório que tenha sido – momento no qual todos estavam profissionalmente ativos, e partilhavam as suas experiências e dificuldades - será como uma estrela, que guiará o meu caminho, durante o próximo ano profissional.

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Neste Natal recebi várias prendas dos meus doentes. Gostei de todas elas. Umas porque demonstraram gratidão, outras porque traduzem evolução.