Depressão

jul-2021

Perguntas & Respostas

(P) Como sei se tenho depressão? Quais são os sintomas?

(R) Os principais sintomas de depressão, são:

- tristeza, intensa e mantida;

- diminuição do prazer, nas suas atividades preferidas;

- cansaço ou diminuição da energia.

A estes sintomas associam-se habitualmente outros, considerados secundários.

(P) Que outros sintomas fazem parte da depressão?

(R) São considerados sintomas secundários de depressão:

- dificuldade de concentração;

- diminuição da auto-estima e da confiança em si próprio;

- ideias de menos-valia e de culpa;

- pensamentos pessimistas;

- ideias de fazer mal a si próprio;

- alterações do sono (habitualmente insónia);

- alterações do apetite (habitualmente diminuição).

Cada caso de depressão apresenta diferentes combinações dos sintomas, principais e secundários, referidos.

(P) Quem faz o meu diagnóstico?

(R) O diagnóstico é a parte mais desafiante do trabalho de um médico. Se não sabe que tipo de mal o aflige, deve sem dúvida procurar um médico, pois o diagnóstico é uma competência específica dos médicos.

(P) Como sei se preciso de tratamento?

(R) Apesar de haver formas ligeiras de depressão, que remitem de forma espontânea, o tratamento diminui a intensidade e duração do sofrimento que está associado à depressão. Para além disso, o tratamento contribui para evitar a cronificação da doença e para impedir as suas consequências nefastas.

(P) Existe, realmente, algum problema, se uma depressão não for tratada?

(R) A depressão não tratada é a doença que mais frequentemente está associada ao suicídio. Além disso, ela piora o prognóstico de outras doenças, isto é a resposta ao tratamento e consequentemente, a sua evolução (por exemplo, a recuperação de um enfarte do miocárdio). No caso das mulheres que têm depressão não tratada e filhos pequenos, estes têm maior probabilidade de desenvolver problemas comportamentais na infância, de atingirem menor rendimento escolar e de desenvolverem doença mental na idade adulta. Há também uma relação entre a depressão da grávida e o risco de desenvolvimento de doenças metabólicas, no adulto. Por todas estas razões, é muito importante diagnosticar e tratar a depressão.

(P) Porque é que algumas depressões se tornam crónicas, e outras não?

(R) São várias as razões que fazem com que algumas depressões se tornem doenças crónicas. Muitas vezes, há circunstâncias adversas na vida das pessoas que têm esta doença, que se mantêm durante meses ou anos e são elas que determinam a manutenção dos sintomas. Um exemplo disso é uma quebra significativa do rendimento de uma família, que obriga a uma mudança profunda no estilo de vida dos seus elementos. Pode também acontecer que a pessoa tenha concomitantemente outras doenças, que contribuam para a manutenção dos sintomas depressivos, como sejam as doenças da tiroide ou do sistema nervoso central. Todavia, na maior parte das vezes, o impacto dos fatores de adversidade é perpetuado por processos psicológicos pouco adaptativos, que fazem parte da personalidade do doente e que o impedem de melhorar.

(P) Então e no meu caso? Não me revejo em nenhum dos fatores que contribuem para ter uma depressão crónica. Como explicar que tenha de manter tratamento antidepressivo?

(R) Há formas de depressão que são explicadas por fatores genéticos. Nesses casos, há história familiar de doença mental nas gerações anteriores ou nos familiares colaterais. Estas depressões têm um curso crónico e por isso requerem tratamento de manutenção.